"I'm looking for a song to sing, I'm looking for a friend to borrow. I'm looking for my radio, So I might have a heart to follow..."

Sunday, May 23, 2004

Oi gente!

Eu acabei de ler um livro sobre as mulheres no Afeganistao no tempo dos taliban. Eu ainda tou com a historia na cabeca, por isso resolvi escrever um pouco aqui. Isso tudo me deixou mto pensativa...

Imaginem q o mundo de vcs tenha sempre sido um dominado por guerra, onde o barulho de metralhadoras e de bombas caindo ja faz parte do dia-a-dia. Dificil imaginar, ne? Apesar disso, vcs tem uma liberdade parecida com a q nos conhecemos na Europa ou no Brasil. Vcs podem estudar, trabalhar, usar roupas ocidentais.
Agora imaginem esse mundo sendo dominado de um dia para o outro por um grupo de pessoas q inventam leis arbitrariamente e que odeiam o seu povo. De um dia para o outro, vcs nao podem mais sair de casa, vcs naum podem mais trabalhar, naum podem assistir TV, ouvir musica, ter fotos de pessoas ou animais, ter roupas ocidentais, animais de estimacao. TUDO é proibido. Vcs naum tem acesso a servicos de saude, de educacao, o patrimonio cultural do seu pais é destruido e a sua religiao é transformada em algo horrivel e assassino. Se vc naum segue as leis estabelecidas, vc é punido; te cortam as maos, ou te apedrejam, te espancam ou entaum te matam. E até se vc segui-las, vc corre o risco de ser punido. Criancas sao violentadas e assassinadas, amigos sao presos e mortos.

As vezes quando eu leio sobre lugares assim, eu percebo q na verdade eu (e todos nos) somos MTO privilegiados. Nos nao conhecemos a guerra, a morte violenta, a discriminacao e nenhuma restricao na nossa liberdade. Nos temos dinheiro, amigos, liberdade, podemos fazer o que bem entendemos com a nossa vida. Mas considerando o mundo inteiro, a gente se da conta de que sao pouquissimos os q podem viver assim. Ate no Brasil, q eu considero uma democracia, um pais onde todo mundo deveria ser livre, sao so os ricos que tem essa chance, e milhoes de pessoas vivem todo dia com a morte, a fome e a violencia de criminais e traficantes. Todos nos conhecemos as historias de gente que nao tem como alimentar os filhos, e essa realidade está mto mais perto de nos do que queremos admitir. Nos vivemos em predios com piscina do lado de favelas onde existe exatamente esse tipo de mundo, mas preferimos ignorá-lo.

É logico que é dificil ajudar essas pessoas menos privilegiadas. Teriamos que dar algo do que é nosso, do nosso dinheiro, do nosso tempo, da nossa liberdade ou da seguranca em que vivemos. Teriamos que arriscar entrar nesse mundo, e isso é perigoso. Afinal mesmo nos conhecemos a criminalidade em Sao Paulo.
Entao decidimos ir embora, e viver num lugar que consideramos melhor. Foi assim pra mim, e pra tantos outros. Na Europa, nao existe sujeira, ou violencia. Aqui tudo é limpo e seguro, e nos temos todas as chances de ter sucesso na vida.

Só que agora, na hora de decidir o meu futuro escolhendo uma faculdade pra fazer, pra mim por algum motivo é dificil ignorar esse mundo tao longe da minha realidade. Talvez pq eu tenho tanto acesso a informacao e educacao, ela esteja mais presente na minha vida. Eu me sinto mal pensando em como outras pessoas sofrem, e muito pior quando eu me dou conta que eu nao faco nada pra ajuda-las. Bem pelo contrario. Vivendo aqui, trabalhando em empresas multinacionais que exploram a mao-de-obra barata dos paises de terceiro mundo, apoiando governos que nao tem a menor intencao de abrir mao de seus privilegios em favor dos que nao tem nenhum, eu estou piorando a situacao desse mundo fora da minha redoma de cristal. E eu quero ajudar.

Eu sei que esse caminho é bastante dificil. Aqui na Europa, poucos ainda conhecem a miseria. E tambem é dificil desistir de uma vida comoda e segura para ir ajudar em lugares onde as condicoes sao precarias. Eu quero que meus filhos crescam em seguranca, eu nao quero ter problemas financeiros nem sofrer com o medo e a violencia que nos perseguem em Sao Paulo. Eu tambem nem sei se eu tenho a forca pra aguentar realidades tao mais crueis que a minha, e se vou conseguir ajudar sem ficar deprimida com os muitos obstaculos e regressos e sofrimento que vou encontrar. Mas eu sei tambem que é impossivel pra mim fechar os olhos e que eu nao quero ter uma vida assim. E logico que eu naum vou conseguir salvar o mundo, acho q isso nem eh possivel. É pouco o que se pode fazer, sendo que o mundo é dominado por forcas que nao podemos influenciar. Nem o mundo ocidental inteiro conseguiu impedir a guerra contra o Iraque, apesar de todas as passeatas organizadas por pessoas normais como nos. Ninguem tem forca contra o poder do dinheiro, nem as pessoas que trabalham na ONU. Mas mesmo assim se pode fazer mto. Os que fizeram o CAS sabem disso. Nao importa se sao so duas ou tres pessoas que vc ajudou, o importante eh ajudar. Ninguem impede organizacoes humanitarias de fazer o trabalho delas nos escombros de uma guerra que acabou. Nao custa tanto dar esse tipo de ajuda.

Bom, na verdade eu nao sei dizer o que me levou a escrever tudo isso. Essas coisas ja tao girando faz tempo na minha cabeca, principalmente quando eu penso que tipo de carreira eu quero seguir. Por enquanto, eu ainda nao tenho uma resposta certa, exatamente pq isso tudo eh mto complicado. Se vcs tiverem alguma sugestao, please me falem... :)
alias, "la vie devant soi" quer dizer "a vida pela frente"...

Beijos
Clau


Manhattan - Kaboul ( Boucan d'enfer)


Renaud
Axelle Red
Ensemble

Petit Portoricain, bien intégré quasiment New-yorkais
Dans mon building tout de verre et d’acier,
Je prends mon job, un rail de coke, un café,

Petite fille Afghane, de l’autre côté de la terre,
Jamais entendu parler de Manhattan,
Mon quotidien c’est la misère et la guerre

Deux étrangers au bout du monde, si différents
Deux inconnus, deux anonymes, mais pourtant,
Pulvérisés, sur l’autel, de la violence éternelle

Un 747, s’est explosé dans mes fenêtres,
Mon ciel si bleu est devenu orage,
Lorsque les bombes ont rasé mon village

Deux étrangers au bout du monde, si différents
Deux inconnus, deux anonymes, mais pourtant,
Pulvérisés, sur l’autel, de la violence éternelle

So long, adieu mon rêve américain,
Moi, plus jamais esclave des chiens
Ils t'imposait l’islam des tyrans
Ceux là ont-ils jamais lu le coran ?

Suis redev’nu poussière,
Je s’rai pas maître de l’univers,
Ce pays que j’aimais tell'ment serait-il
Finalement colosse aux pieds d’argile ?

Les dieux, les religions,
Les guerres de civilisation,
Les armes, les drapeaux, les patries, les nations,
Font toujours de nous de la chair à canon

Deux étrangers au bout du monde, si différents
Deux inconnus, deux anonymes, mais pourtant,
Pulvérisés, sur l’autel, de la violence éternelle

Deux étrangers au bout du monde, si différents
Deux inconnus, deux anonymes, mais pourtant,
Pulvérisés, sur l’autel, de la violence éternelle






Time: 15.32
Music playing: Manhattan-Kaboul - Renaud et Axelle Red



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